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Como fazer uma ordem de serviço de celular (com modelo pronto)

A ordem de serviço não existe para cumprir burocracia. Ela existe para que, três semanas depois, você consiga provar exatamente o que recebeu, o que combinou e o que entregou — sem depender da memória de ninguém.

Abaixo está o passo a passo do que uma OS de celular precisa registrar, na ordem em que se preenche no balcão.

Passo 1 — Identifique o cliente

Nome completo, telefone com WhatsApp e, se possível, CPF. O telefone é o que vai receber o aviso de "pronto"; o CPF é o que salva quando existem dois "João Silva" na base.

Passo 2 — Identifique o aparelho pelo IMEI

Marca e modelo não identificam nada: existem dezenas de iPhone 13 pretos na sua cidade. O que identifica é o IMEI. Disque *#06# no aparelho, ou leia na bandeja do chip, e registre.

Aparelho que não liga: registre o IMEI da etiqueta da caixa ou da bandeja do chip, e anote na OS que o aparelho chegou sem ligar. Isso protege você quando o cliente disser que o aparelho ligava antes.

Passo 3 — Faça o checklist na frente do cliente

Este é o passo que mais gente pula e o que mais evita prejuízo. Confira e marque, com o cliente olhando:

  • Tela: trincada, riscada, com mancha ou pixel queimado
  • Tampa e laterais: amassados, riscos, parafusos faltando
  • Câmeras (frontal e traseira): lente trincada, foto embaçada
  • Alto-falante, microfone e auricular
  • Botões: liga, volume, início, biometria
  • Conector de carga e leitor de chip
  • Sinais de umidade ou de abertura anterior
  • Acessórios entregues: capa, película, chip, cartão de memória

Passo 4 — Registre a senha (ou a ausência dela)

Sem senha, o técnico não testa e você entrega um aparelho que "continua com defeito". Se o cliente não quiser informar, registre isso na OS por escrito — porque o teste final ficará limitado, e ele precisa saber disso antes.

Passo 5 — Escreva o defeito com as palavras do cliente

Anote o relato dele, não o seu diagnóstico. "Não carrega direto, só se ficar mexendo no fio" é útil. "Conector com mau contato" é uma conclusão que você ainda vai confirmar — e que pode estar errada.

Passo 6 — Combine prazo e orçamento

Dois números precisam sair combinados do balcão: prazo de análise (quando você dá o retorno) e valor da análise, se você cobra por ela. O orçamento do conserto vem depois, mas a expectativa do prazo se cria agora.

Passo 7 — Deixe as condições por escrito

Três cláusulas que resolvem a maior parte das discussões:

  1. Prazo de retirada — quanto tempo o aparelho fica na loja após ficar pronto.
  2. Garantia — quantos dias, cobrindo o quê, e o que anula (queda, umidade, violação).
  3. Aparelhos sem reparo — se há cobrança de análise mesmo quando o cliente não aprova.

Passo 8 — Colha a assinatura e entregue a via

Assinatura no papel ou na tela, e uma via para o cliente — no papel ou em PDF pelo WhatsApp. OS que fica só com a loja não protege ninguém.

Modelo de OS: campos mínimos

BlocoCampos
ClienteNome, telefone/WhatsApp, CPF
AparelhoMarca, modelo, cor, IMEI, senha
EstadoChecklist de entrada + fotos
ServiçoDefeito relatado, diagnóstico, peças, valor
PrazosData de entrada, previsão, garantia
AssinaturasCliente na entrada e na retirada

O erro que mais custa caro

Preencher a OS depois, quando o cliente já foi embora. O checklist só tem valor se foi feito com ele presente e de acordo. Feito depois, é a sua palavra contra a dele — e no balcão, essa discussão você perde quase sempre.

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